Motoqueiro
Você está naquele sono profundo, sonhando com praia e água de côco, quando a madrugada estoura na janela.
É guerra?
É tiroteio?
Não…
É só um sujeito confundindo virilidade com estouro do escapamento. O candidato a macho-alfa narcisista passeia pelo bairro soltando fogos de artifício, para quem não pediu espetáculo.
Ainda como se barulho fosse currículo, as motos com cilindradas obscenas que custam todo meu FGTS, gritam como tiranossauro rex numa selva de pedras. O piloto ostentação prova seu complexo de inferioridade entre dois semáforos, separados por cem metros.
Depois de engolir o coração, os ônibus começam a circular e como eles as buzinas, substituindo as maritacas matinais.
Vamos para mais um dia…
O trânsito nem precisa estar entupido – como é o costume – para que todo motoqueiro se sinta Moisés diante do Mar Vermelho. É só apertar a buzina mágica – “saia da minha frente! Isso é uma ordem!”
Para quem estiver vinte centímetros dentro da rota mentalizada pelo deus Mercúrio das duas rodas, a reação é instantânea: corta giro, pé em direção ao retrovisor, dedo do meio em riste e um repertório de impropérios.
Enquanto se distancia, balança a cabeça, deixando claro que existe uma avenida imaginária que eu não respeitei.
Não é um ou outro. É uma avalanche de motos, buzinando como se existisse um dedo especial só para isso.
É a buzina que move essa moto, não o acelerador.
Trânsito. Buzina. Trabalho. Trânsito. Buzina.
Já percebeu que os motoqueiros parecem os mosquitos nessa selva de ferro e concreto?
Não tem mosquiteiro que proteja do motoqueiro buzinando.
Talvez o motoqueiro precise da buzina para se sentir vivo.
Eu, talvez, precise ficar surdo para não parar no xilindró.
É guerra?
É tiroteio?
Não…
É só um sujeito confundindo virilidade com estouro do escapamento. O candidato a macho-alfa narcisista passeia pelo bairro soltando fogos de artifício, para quem não pediu espetáculo.
Ainda como se barulho fosse currículo, as motos com cilindradas obscenas que custam todo meu FGTS, gritam como tiranossauro rex numa selva de pedras. O piloto ostentação prova seu complexo de inferioridade entre dois semáforos, separados por cem metros.
Depois de engolir o coração, os ônibus começam a circular e como eles as buzinas, substituindo as maritacas matinais.
Vamos para mais um dia…
O trânsito nem precisa estar entupido – como é o costume – para que todo motoqueiro se sinta Moisés diante do Mar Vermelho. É só apertar a buzina mágica – “saia da minha frente! Isso é uma ordem!”
Para quem estiver vinte centímetros dentro da rota mentalizada pelo deus Mercúrio das duas rodas, a reação é instantânea: corta giro, pé em direção ao retrovisor, dedo do meio em riste e um repertório de impropérios.
Enquanto se distancia, balança a cabeça, deixando claro que existe uma avenida imaginária que eu não respeitei.
Não é um ou outro. É uma avalanche de motos, buzinando como se existisse um dedo especial só para isso.
É a buzina que move essa moto, não o acelerador.
Trânsito. Buzina. Trabalho. Trânsito. Buzina.
Já percebeu que os motoqueiros parecem os mosquitos nessa selva de ferro e concreto?
Não tem mosquiteiro que proteja do motoqueiro buzinando.
Talvez o motoqueiro precise da buzina para se sentir vivo.
Eu, talvez, precise ficar surdo para não parar no xilindró.


