Amor e Ódio da Árvore
Caesalpinia peltophoroides, a minha eterna inimiga, também conhecida como Sibipiruna.
Ela está espalhada por São Paulo. Toda praça, rua e canteiro. Até na minha antiga escola.
Tudo começou quando eu tinha 11 anos e descobri o que era ódio à primeira vista.
Estudo de manhã e trabalho a tarde.
Trabalho… Veja bem…
Descobri que era um complô dos meus pais e a diretora da escola.
Eles davam o valor da mesada para a diretora me “pagar” pelo serviço que eu prestava.
Hoje seria inviável. Quase escravidão.
Varrer pátio, verificar se o banheiro tem papel higiênico, levar e trazer coisas e recados entre professores e administração.
Sim caro leitor. Eu era ifood, uber, rappy e whatsapp da escola.
Mas vamos voltar a história da árvore.
Minha primeira atribuição era varrer a calçada da escola.
Eu chegava às 13h.
Isso significa que a folhinha dessa árvore estava me esperando a pelo menos 6 horas.
Durante esse tempo ela chama as amigas para caírem também.
Comecei com uma vassoura de piaçava.
Com cada passada, o vento levava 40% das folhas para o mesmo lugar.
Era como enxugar gelo. Mas não o gelo da sua geladeira. O gelo da Groelândia.
Uma trabalho Hercúleo. Eu era o próprio Charlie Chaplin na calçada, ao invés da fábrica.
Certo dia, observei os funcionários da prefeitura varrendo a via pública. Eles usavam a ferramenta dos meus sonhos. Uma vassoura gigante!
Pedi para a diretora e ela me deu o dinheiro para eu escolher a que eu quisesse.
No dia seguinte, como o Prometeu contra as folhinhas, fiz o ato grandioso, ousado, quase impossível: 3 sacos de 40 litros de folhas.
Quando olhei para trás, quase esperando um abraço da diretora, a Sibipiruna já havia convocado o vento e feito chover toneladas de folhas.
A vontade era sentar no chão e chorar alto, mas a única opção era varrer de novo.
Depois de dias me fazendo sofrer, a Sibipiruna resolve parar de soltar folhas.
– E aí, se rendeu, desistiu, árvore?
Não.
É só uma pausa até vir as florzinhas amarelas e começar tudo de novo.
Até hoje guardo um ódio contido dessa árvore.
Mas em pequeno intervalo entre a folhinha e a florzinha, ela se redime completamente.
Amo o verde que ela exibe no início da Primavera.
É um espetáculo de poucos dias.
Exatamente depois da primeira chuva lavar o pó do inverno.
É um verde que não se replica e tecido, design gráfico ou pinturas.
E quando o céu azul está sem nuvens, nada pode reproduzir o contraste que a Natureza faz.
Se o verde representa esperança, deve ser esse tom.
O verde iluminado da folhinha nova da Sibipiruna.
Árvore, eu te perdoo.
Mas nem pense em pisar no meu quintal.
Ela está espalhada por São Paulo. Toda praça, rua e canteiro. Até na minha antiga escola.
Tudo começou quando eu tinha 11 anos e descobri o que era ódio à primeira vista.
Estudo de manhã e trabalho a tarde.
Trabalho… Veja bem…
Descobri que era um complô dos meus pais e a diretora da escola.
Eles davam o valor da mesada para a diretora me “pagar” pelo serviço que eu prestava.
Hoje seria inviável. Quase escravidão.
Varrer pátio, verificar se o banheiro tem papel higiênico, levar e trazer coisas e recados entre professores e administração.
Sim caro leitor. Eu era ifood, uber, rappy e whatsapp da escola.
Mas vamos voltar a história da árvore.
Minha primeira atribuição era varrer a calçada da escola.
Eu chegava às 13h.
Isso significa que a folhinha dessa árvore estava me esperando a pelo menos 6 horas.
Durante esse tempo ela chama as amigas para caírem também.
Comecei com uma vassoura de piaçava.
Com cada passada, o vento levava 40% das folhas para o mesmo lugar.
Era como enxugar gelo. Mas não o gelo da sua geladeira. O gelo da Groelândia.
Uma trabalho Hercúleo. Eu era o próprio Charlie Chaplin na calçada, ao invés da fábrica.
Certo dia, observei os funcionários da prefeitura varrendo a via pública. Eles usavam a ferramenta dos meus sonhos. Uma vassoura gigante!
Pedi para a diretora e ela me deu o dinheiro para eu escolher a que eu quisesse.
No dia seguinte, como o Prometeu contra as folhinhas, fiz o ato grandioso, ousado, quase impossível: 3 sacos de 40 litros de folhas.
Quando olhei para trás, quase esperando um abraço da diretora, a Sibipiruna já havia convocado o vento e feito chover toneladas de folhas.
A vontade era sentar no chão e chorar alto, mas a única opção era varrer de novo.
Depois de dias me fazendo sofrer, a Sibipiruna resolve parar de soltar folhas.
– E aí, se rendeu, desistiu, árvore?
Não.
É só uma pausa até vir as florzinhas amarelas e começar tudo de novo.
Até hoje guardo um ódio contido dessa árvore.
Mas em pequeno intervalo entre a folhinha e a florzinha, ela se redime completamente.
Amo o verde que ela exibe no início da Primavera.
É um espetáculo de poucos dias.
Exatamente depois da primeira chuva lavar o pó do inverno.
É um verde que não se replica e tecido, design gráfico ou pinturas.
E quando o céu azul está sem nuvens, nada pode reproduzir o contraste que a Natureza faz.
Se o verde representa esperança, deve ser esse tom.
O verde iluminado da folhinha nova da Sibipiruna.
Árvore, eu te perdoo.
Mas nem pense em pisar no meu quintal.


