Pets
A meta é ser o humano que minhas gatas acham que eu sou
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Gatinhos
O portão da escola é um laboratório social. As crianças chegam em câmera lenta, envoltas no casaco do uniforme, num silêncio que pesa. Olho para elas e vejo gatinhos que começam a se aventurar fora do ninho. Há dias em que o “bom dia” flutua no ar e cai no chão, sem resposta. Elas passam direto. É o corpo que atravessa o portão; a vida ainda ficou sob o edredom. Um protesto mudo contra o desjejum apressado, o uniforme obrigatório, o trânsito. Quem tem humor para o mundo antes das oito? Eu, nos meus cinquenta, ainda o procuro — quase todas as manhãs. Quando
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Gravidade
Eu descia um rio morno. Sem esforço, sem boia, deixando a correnteza decidir o percurso. Não era raso, nem fundo. Não dava pé, mas também não dava medo. Não era metáfora, retiro espiritual nem crise de meia-idade — era só um rio mesmo. Como o rio quente de Goiás. De vez em quando, eu sentia uma pedra ralando meu pé com delicadeza. Um obstáculo gentil. Como se fossem aveludadas. De repente, cheguei
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Frieza Felina
Diz a lenda — aquela contada por pessoas que provavelmente nunca conviveram com nada mais complexo que uma planta de plástico — que o gato é um ser de gelo. Um nobre indiferente que, na ausência dos seus "provedores de sachê", passaria o tempo meditando sobre sua superioridade, sem sequer notar que não há outros seres na casa. Pois bem, Shadow e Nina devem ter faltado a essa aula de etiqueta felina. Enquanto o mundo acredita na frieza desses bichinhos, as câmeras de segurança não mentem: lá estão as duas, em...
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Vida Leve
Em 2025 a vida foi leve. Leve como um piano caindo do décimo andar. Todo mês brota um boleto, pontual, educado, lembrando que existir custa. O corpo resolveu entrar no departamento de cobrança também. Reclama do joelho, da coluna, do sono, da digestão... a lista continua. Como se tivesse vencido um contrato que me autorizava a pular o desjejum, ignorar a água, fugir do exercício e virar noites trabalhando. É a soberba do jovem que achava que saúde era cartão sem limite. O mundo não ajuda.
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Alongamento
São a Nina e a Shadow… A Nina é elétrica, não para, sempre alerta. Um mosquitinho voando a dois quilômetros já a deixa em posição de ataque, pronta pra defender a casa. Já a Shadow é bon vivant. Ela acredita que a vida foi feita para comer, beber e dormir — não necessariamente nessa ordem. Quando elas...












