Vida Leve
Em 2025 a vida foi leve.
Leve como um piano caindo do décimo andar.
Todo mês brota um boleto, pontual, educado, lembrando que existir custa.
O corpo resolveu entrar no departamento de cobrança também. Reclama do joelho, da coluna, do sono, da digestão… a lista continua.
Como se tivesse vencido um contrato que me autorizava a pular o desjejum, ignorar a água, fugir do exercício e virar noites trabalhando.
É a soberba do jovem que achava que saúde era cartão sem limite.
O mundo não ajuda.
Está mais inseguro, mais irritado, mais congestionado…
A inteligência artificial até empolga, mas já está contaminada pelo comportamento animalesco do Homo sapiens.
No trabalho, o cérebro esquenta mais que núcleo de datacenter da Nvidia, evitando crises com diplomacia multilateral e geopolítica, em campo minado, a cada atendimento. E o que dizer da equação: (proventos) – (descontos) – (custos) – (ração “picanha” das gatas) = (restinho)?
Não tenho energia para comentar polarizações, guerras ou o crime — seja organizado ou aleatório.
Chove onde não devia, o frio demora a acabar e o calor vem com os dois pés no peito.
O clima testa novas formas de nos expulsar do planeta. O extremo virou a previsão.
A gente já acorda cansado antes mesmo de levantar.
É fadiga preventiva.
Mas em casa a distopia fica sem sinal.
E a providência se instala.
Minha esposa me ensinou que reclamar não paga conta.
A convivência – às vezes silenciosa, às vezes ressonante – preenche a vida com amor incondicional.
As gatas dominam o lugar sem contribuição financeira, mas emocional.
Nesse oásis, ainda existe ordem. Um refúgio de paz.
Menos quando tem show no bar da frente.
O mundo está um caos, o corpo em greve, o boleto vence amanhã e as gatas exigem a ração de Dubai.
Se não fosse o Eterno, eu teria pirado.
Ele não me deu tudo.
Entregou o que eu precisava.
Inclusive porção dobrada de paciência porque o show começou lá no bar.
Leve como um piano caindo do décimo andar.
Todo mês brota um boleto, pontual, educado, lembrando que existir custa.
O corpo resolveu entrar no departamento de cobrança também. Reclama do joelho, da coluna, do sono, da digestão… a lista continua.
Como se tivesse vencido um contrato que me autorizava a pular o desjejum, ignorar a água, fugir do exercício e virar noites trabalhando.
É a soberba do jovem que achava que saúde era cartão sem limite.
O mundo não ajuda.
Está mais inseguro, mais irritado, mais congestionado…
A inteligência artificial até empolga, mas já está contaminada pelo comportamento animalesco do Homo sapiens.
No trabalho, o cérebro esquenta mais que núcleo de datacenter da Nvidia, evitando crises com diplomacia multilateral e geopolítica, em campo minado, a cada atendimento. E o que dizer da equação: (proventos) – (descontos) – (custos) – (ração “picanha” das gatas) = (restinho)?
Não tenho energia para comentar polarizações, guerras ou o crime — seja organizado ou aleatório.
Chove onde não devia, o frio demora a acabar e o calor vem com os dois pés no peito.
O clima testa novas formas de nos expulsar do planeta. O extremo virou a previsão.
A gente já acorda cansado antes mesmo de levantar.
É fadiga preventiva.
Mas em casa a distopia fica sem sinal.
E a providência se instala.
Minha esposa me ensinou que reclamar não paga conta.
A convivência – às vezes silenciosa, às vezes ressonante – preenche a vida com amor incondicional.
As gatas dominam o lugar sem contribuição financeira, mas emocional.
Nesse oásis, ainda existe ordem. Um refúgio de paz.
Menos quando tem show no bar da frente.
O mundo está um caos, o corpo em greve, o boleto vence amanhã e as gatas exigem a ração de Dubai.
Se não fosse o Eterno, eu teria pirado.
Ele não me deu tudo.
Entregou o que eu precisava.
Inclusive porção dobrada de paciência porque o show começou lá no bar.


