Cotidiano,  Memórias

Jujubas

Com os remédios de uso contínuo na palma da mão, a semelhança com as jujubas coloridas da infância incomoda.
 
A vitamina D dá vontade de morder só para saber se tem gosto de abacaxi.
Mas deve ter gosto de algo que saiu de um acelerador de partículas.
 
Os branquinhos parecem Tic Tac.
O azul… Não é da sua conta.
 
Meu pai dizia que eu tinha estômago de pato.
Bons tempos. Comia tudo sem planejamento.
Eu era um incinerador.
 
Hoje, preciso negociar com o estômago, pedir a autorização do fígado e calcular a glicemia com o pâncreas. Para garantir, ainda peço ajuda de um antiácido.
 
Qualquer dia eu invento um panetone medicinal.
Troco a fruta cristalizada por comprimidos e pantoprazol na massa.
 
Eu caçoava do meu pai quando ele chegava em casa com a sacola branca: “Você passou no seu supermercado?”
 
E agora, adivinha o que eu faço todo o mês?

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