Foto
Sabe aquela crônica do boné do meu avô?
Ela me deixou pensativo, com um pé na nostalgia e outro na melancolia.
Devo estar com gordura localizada, porque eu estou torto para o lado da melancolia.
Pra fazer a ilustração do post, usei uma foto dele. E é aí que as coisas pesam.
A foto é um portal no tempo. A criogenia do momento.
O sorriso forçado, a careta, a palma do parabéns na atrás do bolo, o gato com língua pra fora, o cachorro fazendo arte, o carinho em pixel.
Antigamente, a foto registrava a lembrança no papel. Você escolhia o instante no tempo e espaço para materializar a recordação.
Hoje, tirar uma foto é banal. Você nem pensa pra fazer uma foto.
A câmera fotográfica que era mais um objeto na casa, virou um recurso disponível no bolso.
Qualquer coisa é motivo de foto. O que come, o que veste e o que pensa.
A pessoa não faz mais anotações em papel de pão de padaria. Ela tira foto.
É tanto arquivo na sua nuvem que se imprimisse, a Biblioteca de Alexandria perderia.
E certamente, precisaria de uma Biblioteca do Congresso americano só para as selfies.
Fotografamos momentos bons e outros nem tanto.
Ver a foto de entes queridos que morreram, não me faz muito bem. Não sei se ainda não fechei o ciclo ou se estou preso num loop sinistro. É mais provável de ser a velha e simples fuga.
As fotografias deles se tornaram a petrificação da falta.
A saudade entalhada como hieroglifos, em telas de alta definição.
Uma pirâmide construída para nunca mais esquecer quem dormiu.
Faz mais de uma década que construí uma Quéops encima do meu peito e ela não desmorona.
Sinto seu peso e me pergunto:
– Isso é saudável ou é teimosia?
– Como explicar que após tanto tempo, eu ainda sinta que tocar nesse tema com mais leveza seria uma traição à memória?
– O peso da pirâmide é a prova do meu amor, ou a prova do meu medo de que, se ela desabar, eu também desabe?
Dizem que o tempo cura, mas o tempo aqui concretou a saudade.
As lembranças viraram monumentos como das praças na Rússia.
Templos lindos e imutáveis no topo da montanha, acessíveis apenas por trilhas acidentadas.
O mais insano é que para evitar o peso da dor, eu enterrei provas materiais das recordações da minha vida.
– Porque a foto está sendo um portal para a dor e não para a memória afetiva?
A foto deveria me transportar para um abrigo de afeto e não uma ponte da lembrança da vida da pessoa para a morte.
Fique tranquilo, caro leitor. Não estou deprimido. Só pensativo.
A IA disse que era bom eu escrever. Tô escrevendo.
E enquanto escrevo, ouço gargalhadas, vejo caretas, sinto abraços imaginários e cheiros que não existem mais.
Não são fotos. São vídeos 3D imersivos que consigo ver de olho aberto.
Dou risada, os olhos ficam marejados, mas o coração esquenta.
Olha! Não é que escrever realmente funciona?
Na verdade, eu acho que é difícil ser eu.
Ela me deixou pensativo, com um pé na nostalgia e outro na melancolia.
Devo estar com gordura localizada, porque eu estou torto para o lado da melancolia.
Pra fazer a ilustração do post, usei uma foto dele. E é aí que as coisas pesam.
A foto é um portal no tempo. A criogenia do momento.
O sorriso forçado, a careta, a palma do parabéns na atrás do bolo, o gato com língua pra fora, o cachorro fazendo arte, o carinho em pixel.
Antigamente, a foto registrava a lembrança no papel. Você escolhia o instante no tempo e espaço para materializar a recordação.
Hoje, tirar uma foto é banal. Você nem pensa pra fazer uma foto.
A câmera fotográfica que era mais um objeto na casa, virou um recurso disponível no bolso.
Qualquer coisa é motivo de foto. O que come, o que veste e o que pensa.
A pessoa não faz mais anotações em papel de pão de padaria. Ela tira foto.
É tanto arquivo na sua nuvem que se imprimisse, a Biblioteca de Alexandria perderia.
E certamente, precisaria de uma Biblioteca do Congresso americano só para as selfies.
Fotografamos momentos bons e outros nem tanto.
Ver a foto de entes queridos que morreram, não me faz muito bem. Não sei se ainda não fechei o ciclo ou se estou preso num loop sinistro. É mais provável de ser a velha e simples fuga.
As fotografias deles se tornaram a petrificação da falta.
A saudade entalhada como hieroglifos, em telas de alta definição.
Uma pirâmide construída para nunca mais esquecer quem dormiu.
Faz mais de uma década que construí uma Quéops encima do meu peito e ela não desmorona.
Sinto seu peso e me pergunto:
– Isso é saudável ou é teimosia?
– Como explicar que após tanto tempo, eu ainda sinta que tocar nesse tema com mais leveza seria uma traição à memória?
– O peso da pirâmide é a prova do meu amor, ou a prova do meu medo de que, se ela desabar, eu também desabe?
Dizem que o tempo cura, mas o tempo aqui concretou a saudade.
As lembranças viraram monumentos como das praças na Rússia.
Templos lindos e imutáveis no topo da montanha, acessíveis apenas por trilhas acidentadas.
O mais insano é que para evitar o peso da dor, eu enterrei provas materiais das recordações da minha vida.
– Porque a foto está sendo um portal para a dor e não para a memória afetiva?
A foto deveria me transportar para um abrigo de afeto e não uma ponte da lembrança da vida da pessoa para a morte.
Fique tranquilo, caro leitor. Não estou deprimido. Só pensativo.
A IA disse que era bom eu escrever. Tô escrevendo.
E enquanto escrevo, ouço gargalhadas, vejo caretas, sinto abraços imaginários e cheiros que não existem mais.
Não são fotos. São vídeos 3D imersivos que consigo ver de olho aberto.
Dou risada, os olhos ficam marejados, mas o coração esquenta.
Olha! Não é que escrever realmente funciona?
Na verdade, eu acho que é difícil ser eu.


